sacola de papel

Quando o sol reaparce,os meus olhos se negam a abrir para a luz. .
talvez permanecer no escuro deixaria minha visão mais clara . .
Depois de um tempo,quando tudo voltar ao normal,é quando me sinto vazia
Oque me resta ?
eu deito e nada faço,não choro
não me permito chorar por tristeza pelo que não me convem
Depois de um tempo vejo que dentro de mim não há nada
nada. . de novo
Mas eu ainda espero que você me traga o meu tudo em uma sacola de papel..

Ontem chorei. .

Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas. Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda-roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. -
Caio Fernado Abreu